
E o que muita gente achava que não fosse acontecer começa a pintar no
horizonte: a Nintendo começou a caça às bruxas de forma mais forte (e
inteligente) na última atualização do Nintendo 3DS. E, nessa leva, quase
todos os flashcards disponíveis para o portátil estão inutilizados.
No anúncio inicial do 3DS, a Nintendo garantiu que os usuários de
pirataria iriam sofrer e muito caso adquirissem o portátil. E até hoje
isso tem sido mantido, afinal nenhum dos flashcards atuais conseguiu
emular efetivamente um título do 3DS. O que eles conseguiam era rodar
jogos do DS/DSi no console, mas não o objetivo principal. Somando isso à
nova política da Nintendo, de lançar atualizações de firmware com menor
espaço de tempo entre elas acabou por não acabar, mas reduzir
drasticamente o número de jogos “emulados”. Isso, somado ao fato de que
você precisaria de outro console não-atualizado para poder atualizar a
firmware do flashcard, dificultava e muito a vida dos desenvolvedores de
kernel/firmware para os cartões. Só que isso ainda não chegou ao
extremismo que a Nintendo prometeu inicialmente, que seria bloquear
efetivamente o console de quem utilizasse flashcards ou outros modos de
pirataria.
Isso é, pelo menos até o dia 19 de setembro, data da atualização
v4.4.0-10. Essa atualização inutilizou 95% dos flashcards mexendo em um
conceito que a Nintendo nunca havia mexido antes: na forma de criação
dos flashcards. Através dessa atualização resolveram checar se o
cartucho inserido no slot de entrada tem ou não o save em circuito
integrado. E, após esse teste inicial, ocorre um teste de troca de
informações entre o save e o jogo. O que acontecia antes, dos flashcards
alterarem o bootloader (que seria a forma de carregamento inicial dos
status do flash) já não adianta mais.
Como os flashcards mais antigos (que já funcionavam desde o primeiro
modelo do Nintendo DS) – e alguns que nasceram depois, apenas “imitando”
o hardware – guardam os saves em um MicroSD, esse tipo de hardware está
“virtualmente” eliminado, não tendo como ser alterado via software
(pelo menos é o que a lógica dita, nesses casos). E esse é o sistema
chamado
“Classe 1″. E o que tudo indica é que esse tipo de flashcard morreu.
Mas, nesse ponto, a criatividade dos developers de flashcard chega a
impressionar. Através de um cartucho de um demo (no caso, o demo de
Metroid Prime: Hunters, que vinha junto com o primeiro modelo do Nintendo DS), o pessoal do
r4ids.cn conseguiu
fazer o sistema do flashcard funcionar. Essa foi a primeira tentativa
de usar um jogo (no caso, um demo) – e ainda mais ousadia, um jogo da
Nintendo – para que um sistema paralelo rodasse no Nintendo 3DS. O que
eles fizeram foi usar esse demo, que já não tem um sistema de save (ou
seja, passa automaticamente no teste por ser um cartucho demo da própria
Nintendo) como o bootloader. Isso exigiu praticamente uma decodificação
do zero do flashcard, mas também tornou o sistema em si mais leve.
A outra maneira encontrada pelos desenvolvedores de flashcards foi a
de criarem seus cartuchos com o mesmo sistema de save dos cartuchos
originais. Porém, por ser mais trabalhoso – e sem muitos motivos na
época – poucos adotaram essa medida de construção de hardware. Esses são
os chamados
“Classe 2″, e poucos grupos ainda mantém
flashcards assim. Existia também um terceiro tipo, que além dos sistemas
da Classe 1 e 2, ainda contaria com processamento extra para poder
rodar jogos de DSi. O único flashcard de
“Classe 3″ conhecido até hoje era o iCyclo, que foi descontinuado pelo Cyclops Team.
O que isso representa, no fim das contas? Significa que, com esse update, apenas
dez flashcards (isso chutando
alto)
podem ser atualizados para funcionarem no 3DS. E o que está por vir, no
que diz respeito a novas atualizações, pode deixar o futuro ainda mais
nebuloso para quem usa (e faz) flashcards, pois a Nintendo parece estar
mergulhando fundo atrás de soluções para evitar a pirataria em seu
console portátil. E o que torna mais provável ainda que o Wii U venha
com algum sistema de bloqueio de softwares piratas desse mesmo nível. Se
isso é uma boa notícia? Com certeza, principalmente pela redução óbvia
do número de cheaters em ambiente online, que talvez seja o maior
problema do legado NDS/Wii. E mostra também que a Nintendo não parou no
tempo no que diz respeito ao combate à pirataria.
E você, o que achou desse novo comportamento da Nintendo? Acha que
isso vai ser suficiente para impedir que a pirataria se alastre pelo
Nintendo 3DS / 3DS XL?
As informações desse post são um trabalho em conjunto entre a Bonus Stage e o nosso leitor Vitor Matos, que é o dono do blog Better Than Ever.
ERRATA: Foi dito no post que os jogos do DS
são “emulados” via flashcard, o que não acontece. Na verdade os jogos
são rodados nativamente pelo console através do Flashcard mesmo.